O Hilemorfismo Cósmico – A Forma sobre o Caos Primordial Para compreender a mecânica profunda do ser e o desabamento estrutural narrado em Gênesis 7:11, faz-se necessário, antes de tudo, retroceder ao arranjo ontológico que sustenta a própria realidade criada. Proponho aqui uma leitura em que a Filosofia da Religião e a Metafísica Fundamental se encontram: o entendimento do cosmos através do hilemorfismo — a indissociável relação entre forma ( morfê ) e matéria ( hýle ) —, sob a ótica da minha Lógica de Convergência Teleodinâmica (LCT). Se Aristóteles utilizou o hilemorfismo para selar o entendimento da substância individual, eu o utilizo para mapear a anatomia da estabilidade e do colapso cósmico. Quando nos debruçamos sobre o vetor inicial da criação, em Gênesis 1:2, deparamo-nos com o estado de semente da realidade: "a terra era sem forma e vazia; e havia trevas sobre a face do abismo" . Este abismo primordial — o Tehom no original hebraico — não deve ser interpretado p...
A questão do livre-arbítrio na Antropologia Teológica toca a própria essência do hilemorfismo do caráter e a tensão entre a contingência da escolha humana e a soberania do decreto preexistente. O homem não é apenas um ser biológico, mas uma criatura posicionada em um eixo de convergência: dotada de racionalidade, mas operando dentro de uma singularidade natural que impõe limites à sua própria razão. 1. O Fragmento Lógico da Liberdade Humana Quando analisamos a história do pensamento e as leis que regem a agência humana através do entendimento comum e científico — o que definimos como Fragmento lógico abstrato —, o livre-arbítrio é frequentemente debatido entre o determinismo biológico/físico e a autonomia da vontade. Na Antropologia Teológica Clássica, a liberdade humana é compreendida sob a ótica da Imago Dei (Imagem de Deus). A capacidade de escolha é o reflexo racional da soberania divina na criatura. Contudo, essa capacidade encontra o seu limite na razão humana , que sofre ...